Células-tronco aceleram a recuperação da isquemia em modelo animal
A superexpressão de LIF é uma estratégia promissora para aumentar o potencial das CTMs no tratamento da CLI e na reparação tecidual.
Um estudo analisou a arteriogênese e a recuperação funcional em modelo murino de isquemia crítica do membro posterior promovida por células-tronco/estromais mesenquimais que superexpressam o fator inibidor da leucemia (LIF). A pesquisa, publicada na Springer Nature, compôs a tese de doutorado de Girlaine Café Santos, estudante do Programa de Pós-Graduação Patologia Humana (UFBA/Fiocruz Bahia), orientada pela pesquisadora da Fiocruz Bahia, Milena Soares.
A isquemia crítica de membros (ICM) é a manifestação mais grave da doença arterial periférica (DAP), para a qual ainda não existem opções terapêuticas eficazes. As células-tronco mesenquimais (CTMs) podem secretar fatores capazes de promover a regeneração tecidual e a neovascularização, e o seu potencial terapêutico pode ser ampliado por meio de modificação genética para superexpressar moléculas de interesse. Neste estudo, os pesquisadores produziram uma linhagem de CTMs derivadas do cordão umbilical superexpressando o fator inibidor da leucemia (LIF), denominada CTM_LIF, e avaliaram o seu potencial terapêutico.
As CTMs foram modificadas para superexpressar LIF por transdução lentiviral, e o seu potencial pró-angiogênico/arteriogênico foi testado no modelo in vitro de anel aórtico 3D e no ensaio in vivo com plugue de Matrigel, os quais demonstraram aumento no número de brotos microvasculares e maior migração da vasculatura endógena para os plugs, respectivamente.
No modelo de isquemia crítica de membro posterior desenvolvido em camundongos C57Bl/6, a administração intramuscular de CTM_LIF foi capaz de restaurar o fluxo sanguíneo na pata isquêmica devido à formação de vasos sanguíneos e arteríolas (CD31/αSMA positivos). O tratamento promoveu proteção contra danos teciduais e modulação do ambiente isquêmico por meio da expressão de genes relacionados à angiogênese/arteriogênese (como Vegf , Mmp2 e Mmp9 ), inflamação (como Il10 ) e mioproteção (Myog , Myod e Pax7).
Publicado em 16/01/2026 no site do IGM por Dalila Brito